Ponente
Descripción
Doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, Zika e chikungunya, continuam representando um importante desafio de saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais. A liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com Wolbachia tem se mostrado uma estratégia promissora, uma vez que reduz a capacidade de transmissão viral e pode se disseminar na população por meio da incompatibilidade citoplasmática.
Entretanto, evidências experimentais indicam que altas temperaturas podem reduzir a densidade de Wolbachia e comprometer sua transmissão materna, dificultando a manutenção da infecção ao longo do tempo. Esse efeito torna-se particularmente relevante em ambientes sujeitos a variações sazonais de temperatura.
Neste trabalho, propomos um modelo de dinâmica populacional baseado em equações diferenciais impulsivas para descrever a interação entre mosquitos selvagens e infectados. O modelo incorpora dois mecanismos principais: liberações periódicas de mosquitos infectados e perda de infecção induzida por estresse térmico, representada por impulsos redistributivos dependentes do tempo.
A partir do modelo, obtemos condições analíticas explícitas do tipo limiar que determinam a quantidade mínima de mosquitos a ser liberada para garantir a persistência da infecção por Wolbachia. Na ausência de estresse térmico, essas condições conduzem à eliminação da população selvagem, enquanto, sob perturbações térmicas, mostramos que a persistência ainda pode ser assegurada mediante ajustes adequados na política de liberação.
Simulações numéricas corroboram os resultados teóricos e permitem comparar diferentes cepas de Wolbachia (wMelPop, wMel e wAlbB), evidenciando que tolerância térmica e custos de aptidão influenciam diretamente o sucesso da estratégia.
Os resultados destacam a importância da incorporação de efeitos ambientais em modelos de controle vetorial e fornecem uma base teórica para o desenvolvimento de estratégias de liberação mais robustas.